São 56 trabalhos de 56 artistas onde predomina a pintura, mas também alguma escultura, desenho e criações digitais, que o comissário da exposição, Santiago Ribeiro, enquadra nas novas tendências do Surrealismo do século XXI, que tem como grande mentor o norte-amercano Keith Wigdor, e onde figuram representantes das denominadas "Visionary Art" ou "Fantastic Realism".  
  
Esta exposição resulta das relações e amizades estabelecidas nas redes sociais da internet por Santiago Ribeiro, também ele pintor surrealista, e que a Fundação Bissaya Barreto decidiu acolher e exibir em Coimbra até 30 de Junho.  
  
"A nova era do Surrealismo está a expandir-se através da Internet com um novo impulso devido precisamente à nova comunicação e às novas realidades", como o aquecimento global, o capitalismo desenfreado", salienta Santiago Ribeiro, em declarações à agência Lusa.  
  
É o próprio Keith Wigdor que, num texto inserido no catálogo da exposição, proclama: "Encontramo-nos numa encruzilhada. Neste preciso momento, a humanidade anseia desesperadamente pela revolução surrealista, ou seja a revolução da mente".  
  
"O Surrealismo será, então, a arma, ou, melhor dizendo, a "arma do desejo" de libertar a humanidade das garras do imperialismo, do conservadorismo, das fórmulas do capitalismo", acrescenta.  
  
Em jeito de conselho aos visitantes da exposição patente em Coimbra, Keith Wigdor adverte que o que terão perante o olhar não se reduz a "uma questão estética ou prazer sensorial".  
  
"O que vós, visitantes, ireis ver será tudo o que o Surrealismo tem conseguido realizar, numa exploração contínua de novos domínios, desde a sua conceção, no século passado, sob a orientação do nosso fundador André Breton", acentua.  
  
Para Santiago Ribeiro, a melhor forma de explicitar os objetivos da "International Exhibition 2010 Surrealism Now" é recorrer às próprias palavras de Keith Wigdor, nela representado através da fotomontagem intitulada "A Young Woman Full of Grace and Nobility from the Outmoded Strata".  
  
De Portugal estão representados os pintores Carlos Godinho, Francisco Urbano, Rui Cunha e Victor Lages, além de Santiago Ribeiro e do escultor joão Duarte.  
  
Rudolf Boelee (Nova Zelândia), Egill Ibsen (Islândia), Vu Huyen Thuong (Vietname), Nadine Gurcuoglu (Turquia), Pavel Surma (República Checa), Allessandro Bulgarini (Itália), Gromiko Semper (Filipinas), Hikaru Hirata (Japão) e Lv Shang (China) são alguns dos artistas estrangeiros.  
  
Dos EUA estão representados Adam Scott Miller e Christopher Klein, da Holanda Carel Verlegh e Peter Van Oostazanen, do Brasil Fernando Ferreira Araújo e Lourenço Gonçalves, da Rússia Ludmila e Oleg Korolev, da Alemanha Roland Heyder e Sonja Tines e da França Daniel Hanequand e Jo Riso.  
  
México, Brasil, Argentina, El Salvador, Costa Rica, Polónia, Roménia, Uruguai, Suécia e Chile são outros dos 31 países representados numa mostra que a Diretora da Casa Museu Bissaya Barreto, Isabel Horta e Vale, classifica de "grande importância" em ternos culturais, para os artistas e a sua instituição.

Lusa